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NBB Caixa

Barreira histórica

11-05-2026 | 01:47
Por Marcius Azevedo

Classificado para sua quarta semifinal, Pinheiros revive campanhas marcantes de 2010/11, 2011/12 e 2016/17 e desafia história para alcançar uma inédita vaga na final do NBB CAIXA

O Pinheiros está novamente entre os quatro melhores times do NBB CAIXA. A classificação para a semifinal recoloca o clube em um território raro dentro de sua própria história na competição e reacende uma missão que atravessa gerações: alcançar a primeira final. Esta será apenas a quarta vez que a equipe azul e preta disputa uma semifinal. Nas outras três oportunidades, o caminho terminou interrompido a um passo da decisão.

O peso desse histórico transforma a campanha atual em algo ainda maior. Mais do que voltar a ser protagonista sob o comando do técnico Gustavinho De Conti, o Pinheiros tenta finalmente romper a barreira que sempre separou suas grandes temporadas de uma vaga inédita na final. E, claro, de uma chance de conquistar um título inédito.

A primeira semifinal aconteceu na temporada 2010/11, justamente durante o período em que o clube consolidava sua ascensão no cenário nacional. O Pinheiros havia montado uma equipe extremamente competitiva, intensa defensivamente e capaz de jogar em ritmo alto, características que o colocaram na segunda colocação da fase regular, com 20 vitórias e oito derrotas, atrás apenas do Sesi Franca, coincidentemente o que aconteceu na atual temporada.

Arthur, do Brasília, com Morro, do Pinheiros, na semifinal do NBB 2010/11. Foto: Arquivo/LNB

Era um time que carregava uma mistura importante entre organização tática e personalidade, com jogadores como Marquinhos, Olivinha e Shamell. Nos playoffs, passou pelo Joinville nas quartas de final, mas encontrou pela frente o Brasília, que havia sido campeão na temporada anterior, na semifinal. O time do DF soube controlar o ritmo emocional da série e usou sua experiência para neutralizar os momentos de crescimento do adversário. A eliminação por 3 a 1 em jogos com resultados apertados encerrou uma campanha histórica.

Na temporada seguinte, em 2011/12, o Pinheiros voltou ainda mais forte e mais preparado para disputar o título. O clube manteve o alto nível de competitividade e chegou à semifinal sustentado por um jogo coletivo extremamente consistente. A equipe parecia mais madura do que no ano anterior, mais confortável nos jogos grandes e mais pronta para enfrentar a pressão dos playoffs.

Renato, do Pinheiros e Giovannoni, do Brasília

Renato Lamas, do Pinheiros, e Giovannoni, do Brasília, na semifinal da temporada 2011/12. Foto: Arquivo/LNB

Novamente terminou na segunda colocação, com 21 vitórias e sete derrotas, e passou outra vez pelo Joinville nas quartas de final. O adversário daquela semifinal também se repetiu: o Brasília, agora bicampeão do NBB CAIXA. A série acabou marcada pelo equilíbrio e pela intensidade física, com dois times que executavam muito bem seus sistemas coletivos. O Pinheiros competiu em alto nível, mas acabou superado por um adversário que tinha Nezinho, Alex Garcia e Giovannoni. Foi mais uma queda dolorosa, porque a sensação era de que o clube estava cada vez mais próximo da decisão.

A semifinal de 2016/17 ficou marcada pela oportunidade mais próxima de se transformar em final. O Pinheiros construiu uma campanha menos expressiva quanto as duas anteriores sob o comando do técnico César Guidetti, fechando na oitava colocação com 16 vitórias e 12 derrotas na temporada regular. Cresceu nos playoffs, eliminando Vasco da Gama e Flamengo nas oitavas e quartas de final, respectivamente, e encarou o Bauru Basket na semifinal.

Holloway, do Pinheiros, na série semifinal contra o Bauru Basket, na temporada 2016/17. Foto: Daniel Vorley/ECP

A equipe azul e preta abriu vantagem de 2 a 0 na série. A vaga parecia encaminhada. O time, que contava com jogadores como Holloway, Bennett e Teichmann, jogava com confiança, defendia em alto nível. O Bauru Basket reagiu, venceu partidas de enorme carga emocional e transformou a disputa em uma batalha psicológica. O Pinheiros sentiu o peso da pressão nos jogos finais e sofreu uma virada que marcou aquela equipe justamente porque a classificação esteve muito próxima. Assim como aconteceu com o Brasília, o time bauruense foi campeão do NBB CAIXA.

Agora, o Pinheiros volta à semifinal carregando parte dessa memória histórica, mas também apresentando um contexto diferente. O clube chega novamente competitivo, com identidade coletiva clara e uma equipe que soube amadurecer ao longo da temporada. A campanha atual recoloca o time diante do mesmo desafio que travou suas outras gerações semifinalistas: transformar competitividade em passagem para a decisão.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo do Brasil, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.