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NBB Caixa

Tensão máxima

28-04-2026 | 06:01
Por Marcius Azevedo

Com match point do Paulistano no Jogo 4, Gui Abreu destaca intensidade e consistência, e Andrezão reforça a postura de sobrevivência do Bauru Basket para repetir feito histórico

O Jogo 4 entre Paulistano e Bauru Basket chega como um ponto de tensão máxima na série. Com 2 a 1 no confronto, o time alvirrubro volta ao Ginásio Antonio Prado Jr., nesta quarta-feira (29/04), às 19h30, com o match point e duas oportunidades de fechar em casa. A equipe bauruense, pressionada, se agarra à própria história para manter a disputa viva e tentar repetir a virada da final do NBB CAIXA de 2016/17. Em quadra, o jogo é coletivo. No discurso, ele ganha forma nas vozes de Gui Abreu e Andrezão, que se cruzam na leitura do momento.

A vantagem do mando pode ser decisiva, mas não garante controle por si só. Gui Abreu aponta o caminho a partir da postura em quadra. “O principal ponto para ter o mando de quadra e fazer dele a nosso favor é ter a intensidade, ter a disposição e entrega, porque sabemos que isso é fundamental numa série que é disputada, que tem jogos muito físicos, muito fortes. Então, se tivermos uma boa energia, uma boa comunicação dentro de quadra e foco, isso vai acabar sendo fundamental e vai fazer com que a pressão seja absorvida de forma natural”, afirmou o ala-pivô.

Se, de um lado, a pressão precisa ser absorvida, do outro ela precisa ser transformada em reação. Andrezão, referência de Bauru Basket, traz o contraponto. “Claro que é uma grande inspiração. Percebemos também pelo sentimento da torcida, que a todo tempo nos incentiva, mesmo num cenário desfavorável. Só que são momentos e times diferentes. O que precisa estar na nossa cabeça é que a série só termina quando alguém fecha a classificação. Eles precisam de uma vitória, nós de duas. Então o foco precisa estar em um jogo de cada vez. Ganhar o próximo, depois pensar no que vem pela frente. Precisamos ter mentalidade e atitude dentro de quadra para mostrar que é possível”, disse o pivô, referindo-se à virada que garantiu o título bauruense no NBB CAIXA.

A série, que começou com domínio do Paulistano, com vitória em casa e outra fora, ganhou nova vida no Jogo 3, quando o Bauru Basket elevou o nível físico e encontrou respostas. Isso exige, agora, sustentação. Gui Abreu reforça que esse tipo de consistência não nasce de um jogo para o outro, mas precisa aparecer justamente agora. “Bom, eu acho que, para você se sustentar em uma série tão física assim durante vários jogos, não adianta muito o trabalho entre os jogos da série, porque isso é um trabalho que delonga muito tempo, demora o ano todo trabalhando firme, trabalhando duro, mas entre os jogos o que podemos fazer agora é ter bastante foco, ter um descanso bom e tentar alinhar o físico também com a parte de estratégia, porque, se você for só no físico, não é o suficiente para vencer uma série, então temos de ter alinhamento da parte física com estratégia e mental para que possamos sair com essa vitória”, analisou.

A leitura passa por uma mudança imediata de postura, especialmente jogando fora de casa. Andrezão aponta onde a virada começa. “A nossa postura precisa ser de um time com fome de defender. Quando a defesa encaixa, corremos a quadra e o nosso jogo flui muito melhor. No ataque, a bola fica mais leve, as decisões saem mais naturais, porque sabemos que está garantindo lá atrás.”

É justamente na defesa que os caminhos das duas equipes se encontram, seja como ajuste necessário ou como ponto de crescimento. Gui Abreu detalha o que precisa ser corrigido após o último jogo, especialmente no controle do garrafão e dos rebotes. “O que eu acredito que é fundamental para mantermos defensivamente é, primeiramente, cuidar bem da bola no nosso ataque para não deixar a equipe deles com pontos fáceis em transição, principalmente, e termos um pouco mais de consistência na nossa defesa no garrafão e também com relação aos rebotes defensivos, que nós, no primeiro tempo da última partida, acabamos ficando nos rebotes defensivos e deixamos eles pontuarem muito no garrafão. Então, isso foi um ponto que podemos melhorar, mas a defesa também se baseia muito em vontade, em disposição e não parar de correr, e isso fez a diferença nos dois primeiros jogos para nós. Acredito que pode ser algo que, se conseguirmos voltar a fazer, seja fundamental para a próxima vitória.”

Se para o Paulistano é correção, para o Bauru Basket é oportunidade direta de crescimento dentro da série. E, mesmo com marcas individuais relevantes em jogo, o foco continua coletivo. Andrezão, líder em duplo-duplos com 22 e próximo de bater o recorde histórico de 23 de Jefferson William em uma temporada, deixa claro o que realmente importa neste momento. “Fico feliz com os duplo-duplos, claro. As marcas são simbólicas, mas não é algo que me preocupa agora. Temos um jogo muito importante pela frente, valendo a nossa permanência na série. É isso que importa. Se vier a classificação, com ou sem duplo-duplo, é o que vai me deixar realmente feliz”, avisou.

Entre controle e urgência, entre fechar e sobreviver, o Jogo 4 coloca frente a frente duas leituras claras do mesmo cenário. O Paulistano tenta transformar vantagem em desfecho. O Bauru Basket, em resistência. E, no encontro dessas duas forças, a série chega ao seu momento importante, aquele em que execução e mentalidade deixam de ser discurso e passam a definir o destino das equipes nas oitavas de final do NBB CAIXA.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo do Brasil, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.