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Defesas protagonistas

29-04-2026 | 04:02
Por Marcius Azevedo

Duelo entre CAIXA/Brasília e Caxias do Sul Basquete tem duas das melhores defesas, equilíbrio extremo e ganha carga emocional com a possibilidade do último jogo da carreira de Shamell

A série entre CAIXA/Brasília e Caxias do Sul Basquete caminha exatamente pelo trilho que os números da temporada indicavam. Frente a frente, a segunda e a quarta melhores defesas do campeonato transformaram as oitavas de final em um confronto de meia quadra, físico, de posses longas e placares comprimidos. Os três primeiros jogos sustentam esse retrato. Agora, com 2 a 1 para o time do DF, o Jogo 4 acontece nesta quinta-feira (30/04), às 20h15, na Arena Nilson Nelson.

Nesse contexto, a margem para erro praticamente desaparece. Cada ataque exige execução precisa, e qualquer desatenção defensiva custa caro. Pelo lado do CAIXA/Brasília, o pivô Brunão aponta para ajustes finos como caminho para retomar o controle da série. “É ajustar os últimos detalhes do último jogo, em que não tivemos tanto êxito no ataque, para conseguirmos ter mais alguns arremessos livres e diminuir o aproveitamento deles em geral.”

A análise dialoga diretamente com a leitura do outro lado. Rafa reforça que o equilíbrio não é circunstancial, mas estrutural, fruto da identidade das duas equipes. “Como já foi o último jogo, era tudo ou nada. Estávamos perdendo de 2 a 0 e precisávamos dessa vitória para forçar o quarto jogo. Sabíamos que ia ser uma série bem dura, porque o Brasília foi a segunda melhor defesa do campeonato e a nossa foi a quarta. São equipes que têm a principal característica de defesa, então sabíamos desse equilíbrio. Vamos tentar manter essa constância na defesa e aproveitar os contra-ataques, aproveitar as chances que estamos fazendo o jogo proporcionar para nós.”

Esse desenho coletivo se reflete nas disputas individuais, especialmente no garrafão, onde o contato é permanente e o jogo se decide no detalhe. Rafa traduz bem esse cenário ao descrever sua atuação. “Apesar de minha altura ser menor em relação aos principais pivôs da Liga e de o Brasília também ter um dos principais garrafões do campeonato, eu tento lutar, brigar, em todas as bolas, defesa, em tudo. Tento também aproveitar quando tem esse espaço para fazer os arremessos de três pontos e abrir um pouco a quadra. Temos jogadores que têm capacidade de criar ali no poste baixo, como Shamell, Humberto, e sempre acaba sobrando esse chute de três pontos. Venho treinando, trabalhando, para, quando tiver a oportunidade, estar preparado”, analisou o pivô de 1,98m.

Se a série já é naturalmente tensa pelo equilíbrio técnico, o componente emocional eleva ainda mais o nível de pressão. A possibilidade de que cada jogo seja o último de Shamell na carreira atravessa o confronto e dá um significado adicional a cada posse. Brunão reconhece o peso simbólico, mas mantém o discurso ancorado na competição. “Sabemos da qualidade e da importância do Shamell para o NBB e é uma honra estar participando desses últimos jogos da carreira dele. É uma emoção de muito respeito, mas, na hora do jogo, é cinco contra cinco.”

A mesma consciência se transforma em combustível competitivo para o Caxias. “Sabemos que é a última temporada dele. Primeiramente, é um prazer estar vivenciando esse momento da carreira dele. É prazeroso estar podendo aprender e estar desfrutando desses últimos momentos da carreira dele. E o que estamos mobilizando o grupo é, a cada jogo, não ser o último dele, igual falamos no último jogo, que não seria o último dele, e conseguimos vencer o jogo e forçar o jogo 4. Vamos com essa mentalidade de não ser o último jogo dele e adiar o máximo que pudermos essa despedida dele. Vamos lutar ali junto com ele, para ir adiando mais e mais para podermos chegar o mais longe possível no campeonato”, afirmou Rafa.

Entre execução e resistência, a série se sustenta nesse equilíbrio permanente. O CAIXA/Brasília busca transformar pequenos ajustes em controle definitivo do confronto. O Caxias do Sul Basquete responde com consistência defensiva e capacidade de competir em cada posse. Em um duelo assim, o jogo raramente se resolve por volume. Ele se decide na disciplina, na leitura e na frieza para aproveitar as poucas brechas que aparecem. E, desta vez, também no peso de um possível último capítulo.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo do Brasil, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.