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NBB Caixa

Peso pesado

04-05-2026 | 04:43
Por Marcius Azevedo

Entre a solidez defensiva do CAIXA/Brasília e o ataque poderoso do Flamengo, a série reúne história, retrospecto recente reequilibrado e estilos distintos na busca pela classificação

A série entre CAIXA/Brasília e Flamengo reúne dois pesos pesados do NBB CAIXA e carrega a promessa de um confronto de alto nível. Não apenas pela tradição, mas pelo momento das equipes, o duelo se desenha como um dos mais intrigantes desta fase, combinando história, identidade e ambição em lados opostos da quadra, além de agregar um contexto recente de confrontos equilibrados e decisões nos detalhes que reforçam a expectativa por uma disputa intensa do início ao fim. O primeiro jogo acontece nesta terça-feira (05/05), às 20h30, na Arena Nilson Nelson.

O CAIXA/Brasília, tricampeão da competição, vive um momento de afirmação após a retomada do projeto, sustentado por uma construção consistente e uma identidade clara ao longo da temporada. A equipe chega aos playoffs com maturidade competitiva e confiança em seu modelo de jogo. Já o Flamengo, maior campeão da história com sete títulos, entra em quadra com o objetivo de interromper um jejum que já dura quatro temporadas, período em que viu o Sesi Franca dominar a liga, e encara a série como uma oportunidade de recolocar seu protagonismo em evidência.

CAIXA/Brasília derrotou o Flamengo em grande jogo na Arena Nilson Nelson. Foto: Luiz Eduardo

O equilíbrio também se reflete na campanha das equipes na atual edição, com trajetórias semelhantes até aqui. Ainda assim, o retrospecto recente adiciona um componente relevante: o CAIXA/Brasília venceu os dois encontros na temporada regular, ambos marcados por controle de ritmo, execução nos momentos decisivos e diferença mínima no placar.

Em quadra, o confronto se sustenta em um choque de características bem definido. O CAIXA/Brasília constrói sua força a partir da defesa, aspecto que se consolidou ainda mais nos playoffs. A equipe foi a que menos sofreu pontos nas oitavas de final, com média de 67,5 por jogo na série contra o Caxias do Sul Basquete, reforçando uma consistência já presente na fase regular, quando terminou como a segunda defesa menos vazada. É um time que dita o ritmo, protege o garrafão e limita o volume ofensivo adversário.

O Flamengo, por sua vez, chega impulsionado por um salto ofensivo significativo. Sob o comando de Fernando Pereira, a equipe elevou sua produção para 94,7 pontos por jogo nas oitavas de final, diante do Ceisc/União Corinthians, superando o já expressivo desempenho da temporada regular, quando teve o terceiro melhor ataque da competição. Com maior fluidez, ritmo acelerado e múltiplas alternativas de pontuação, o time rubro-negro busca impor intensidade para desafiar um sistema defensivo consolidado. O cenário aponta para um embate direto entre consistência e volume, em que cada posse tende a ter peso determinante.

DESTAQUES

Brunão foi o grande destaque do CAIXA/Brasília nas oitavas de final, impondo seu jogo no garrafão e sendo determinante ao longo da série contra o Caxias do Sul Basquete. Com presença física e consistência nas duas tábuas, o pivô sustentou médias de duplo-duplo, com 10,7 pontos e 11 rebotes, além de 19 de eficiência, números que traduzem seu impacto direto no desempenho da equipe. Sua atuação ajudou a controlar o duelo próximo à cesta, garantindo segundas posses no ataque e proteção sólida na defesa.

Gui Deodato foi um dos principais destaques do Flamengo na série contra o Ceisc/União Corinthians, combinando eficiência ofensiva com participação ativa em diferentes aspectos do jogo. Letal nas bolas de três pontos, o ala converteu 47,8% de seus arremessos do perímetro, sendo peça-chave para espaçar a quadra e punir a defesa adversária. Além disso, contribuiu de forma completa, com médias de 12,7 pontos, 3,7 rebotes e 4,2 assistências, alcançando 15,5 de eficiência.

HERMANOS DA ARMAÇÃO

O duelo entre Facundo Corvalan e Franco Baralle adiciona uma camada interessante ao confronto, colocando de lados opostos dois armadores formados na escola argentina, mas com estilos próprios. Facundo tende a equilibrar pontuação e organização, com leitura para atacar quando necessário e controlar o ritmo do jogo, enquanto Baralle atua de forma mais incisiva na criação, acelerando a circulação da bola e potencializando os companheiros. Nas oitavas de final, os números refletem esse contraste dentro de um cenário de equilíbrio: o jogador do CAIXA/Brasília registrou 10,5 pontos e 5,2 assistências para 10,2 de eficiência, enquanto o do Flamengo anotou 10,2 pontos e 7,2 assistências, com 11,5 de eficiência. Um confronto de perfis diferentes, mas impacto semelhante na condução de suas equipes.

TREINADORES

O duelo na beira da quadra carrega um contraste interessante de trajetórias e momentos. Dedé Barbosa chega respaldado por uma carreira sólida no NBB CAIXA, com histórico de bons trabalhos e reconhecimento precoce como treinador, sustentado por sua capacidade de estruturar equipes competitivas, especialmente a partir da organização defensiva e leitura de jogo. No comando do CAIXA/Brasília, imprime um time disciplinado, que entende bem os caminhos da partida. Do outro lado, Fernando Pereira vive um contexto oposto, tendo assumido o Flamengo já nos playoffs após um longo período como auxiliar do Rubro-Negro, em um ambiente de alta exigência e pouco tempo para intervenções profundas. Ainda assim, sua condução passa por dar continuidade à identidade ofensiva da equipe e gerir um elenco qualificado com segurança em momentos decisivos.

Flamengo perdeu sua invencibilidade no NBB CAIXA para o CAIXA/Brasília após 10 vitórias. Foto: Paula Reis/CRF

CAMPANHAS

CAIXA/BRASÍLIA (4º): 38J; 28V e 10D (73,7%). EM CASA: 17-2; FORA: 11-8
FLAMENGO (5º): 38J; 28V e 10D (73,7%). EM CASA: 16-3; FORA: 12-7

OITAVAS DE FINAL

Em uma série de controle defensivo, o CAIXA/Brasília superou o Caxias do Sul Basquete em um confronto marcado por jogos equilibrados e placares apertados. Depois de abrir vantagem com duas vitórias, com o Jogo 1 em casa e o seguinte fora, com destaque para Paulichi e Brunão, respectivamente, o time do DF perdeu o Jogo 3 com Shamell cestinha. No entanto, no Jogo 4, a equipe de Dedé Barbosa voltou a mostrar sua identidade: defesa forte e sangue frio no fim, garantindo o triunfo por 71 a 70 em uma posse final dramática. Ao longo da série, o equilíbrio foi constante, mas a consistência defensiva e a execução nos momentos decisivos acabaram sendo o diferencial para o time brasiliense avançar.

Jogo 1: CAIXA/Brasília 73 x 64 Caxias do Sul Basquete
Jogo 2: Caxias do Sul Basquete 70 x 78 CAIXA/Brasília
Jogo 3: Caxias do Sul Basquete 66 x 63 CAIXA/Brasília
Jogo 4: CAIXA/Brasília 71 x 70 Caxias do Sul Basquete

Com um ataque avassalador e controle de ritmo, o Flamengo fechou a série em 3 a 1 sobre o Ceisc/União Corinthians impondo sua força ofensiva em três dos quatro jogos. A equipe rubro-negra começou com uma atuação dominante no Jogo 1, evidenciando sua profundidade e eficiência coletiva. No Jogo 2, sofreu o único revés da série em um duelo decidido nos detalhes por apenas um ponto, mas rapidamente retomou o controle com uma vitória sólida fora de casa no Jogo 3, apoiado na consistência do seu jogo coletivo e na capacidade de encontrar diferentes protagonistas, como Jhonatan Luz. No Jogo 4, confirmou a classificação com mais uma atuação contundente, ultrapassando a marca dos 100 pontos pela segunda vez contra o time gaúcho. O time de Fernando Pereira fez do ataque seu principal diferencial para avançar.

Jogo 1: Flamengo 102 x 72 Ceisc/União Corinthians
Jogo 2: Ceisc/União Corinthians 84 x 83 Flamengo
Jogo 3: Ceisc/União Corinthians 77 x 90 Flamengo
Jogo 4: Flamengo 104 x 77 Ceisc/União Corinthians

DUELOS NA TEMPORADA REGULAR

Os embates entre CAIXA/Brasília e Flamengo na temporada regular indicaram o nível de equilíbrio que cerca o confronto. No primeiro turno, no Rio de Janeiro, o time do DF venceu por 85 a 83 em uma partida decidida nos detalhes, com execução eficiente nos momentos finais e protagonismo dividido de Facundo Corvalan e Kevin Crescenzi. Alexey Borges, em uma das suas últimas aparições no NBB CAIXA antes de lesionar o joelho, registrou 11 assistências. Aquela derrota pôs fim à invencibilidade do Rubro-Negro no NBB CAIXA 2025/26 depois de 10 vitórias consecutivas.

Já no segundo turno, com recorde de público da temporada na Arena Nilson Nelson com sete mil pessoas presentes, novamente prevaleceu o equilíbrio, com o time do DF voltando a levar a melhor por dois pontos (89 a 87), em um jogo de posses controladas e decisões no fim. Daniel Von Haydin foi o principal nome da partida pela CAIXA/Brasília com 32 pontos, o seu recorde pessoal, além de cinco rebotes e quatro assistências para 34 de eficiência. Pelo Flamengo, Franco Baralle teve ótima atuação, flertando com um duplo-duplo ao fechar o confronto com 21 pontos e nove assistências, além de cinco recuperações de bola.

HISTÓRICO DO CONFRONTO

Desde o novo projeto de retomada do CAIXA/Brasília, foram 16 jogos entre eles na história do NBB CAIXA. O Flamengo venceu 14 vezes (88%) e perdeu duas (22%). Essa contagem é feita a partir da temporada 2018/19.

Contudo, mesmo sendo um projeto distinto do antigo, que adotou o mesmo nome e atua no mesmo local de jogos, considerando todo o histórico anterior e isso englobaria os três títulos seguidos do Lobos Brasília. Assim, nessa contagem entraria o título perdido no primeiro NBB CAIXA 2008/09 para o Flamengo na final, e o troco na decisão da temporada seguinte. Ao todo, foram 26 jogos antes da retomada, com 14 triunfos do Rubro-Negro e 12 da equipe do DF.

Depois da retomada do projeto, na temporada 2018/19, o primeiro encontro aconteceu no dia 15 de outubro de 2018, quando o Flamengo venceu o CAIXA/Brasília por 94 a 69. Olivinha foi o principal nome daquele triunfo, terminando o jogo com 21 pontos (60% nos arremessos do perímetro) e oito rebotes para 21 de eficiência. O pivô venezuelano Windi Graterol foi o cestinha da equipe do DF com 23 pontos.

A primeira vitória do CAIXA/Brasília aconteceu na atual temporada, no confronto válido pelo primeiro turno da temporada 2025/26, no dia 20 de novembro de 2025. No Maracanãzinho, o time do DF contou com 22 pontos de Corvalan e boa atuação de Kevin Crescenzi, com 17 pontos e oito rebotes, para vencer por 85 a 83, derrubando uma invencibilidade de 10 jogos do Flamengo, que, até então, não havia perdido na competição.

Resultado de maior vantagem: Flamengo 115 x 58 CAIXA/Brasília (31/01/21 – 2º Turno)

Resultado de maior pontuação de um time: Flamengo 115 x 58 CAIXA/Brasília (31/01/21 – 2º Turno)

HISTÓRICO EM PLAYOFFS

CAIXA/Brasília e Flamengo vão se enfrentar em uma série de playoffs do NBB CAIXA pela primeira vez desde que o projeto foi retomado no DF.

Antes disso, porém, foram duas finais entre os times. Na primeira edição do campeonato, em 2008/09, o Rubro-Negro ficou com o título ao derrotar o Brasília por 3 a 2, vencendo o quinto e último jogo da série melhor de cinco por 76 a 68. Marcelinho Machado foi o destaque naquela partida com 27 pontos.

O troco chegou na temporada seguinte, quando o Brasília superou o Flamengo também em cinco jogos, vencendo o último confronto por 76 a 74. Alex Garcia foi o principal nome naquela partida com 23 pontos, seis rebotes e seis assistências. Valtinho também se destacou com 21 pontos e sete assistências.

CALENDÁRIO DA SÉRIE

CAIXA/Brasília (4º) x Flamengo (5º)

Jogo 1 — 05/05 (terça-feira), 20h30 — CAIXA/Brasília x Flamengo (Arena Nilson Nelson) — SporTV
Jogo 2 — 08/05 (sexta-feira), 19h — Flamengo x CAIXA/Brasília (Maracanãzinho) — SporTV
Jogo 3 — 10/05 (domingo), 14h — Flamengo x CAIXA/Brasília (Maracanãzinho) — SporTV
Jogo 4* — 13/05 (quarta-feira), 20h30 — CAIXA/Brasília x Flamengo — (Arena Nilson Nelson) – SporTV
Jogo 5* — 15/05 (sexta-feira), 20h30 — CAIXA/Brasília x Flamengo — (Arena Nilson Nelson) – SporTV

*Se necessário

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo do Brasil, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.