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Estratégias claras

29-04-2026 | 06:07
Por Marcius Azevedo

Com Baralle na condução do Flamengo e André Góes como referência do Ceisc/União Corinthians, o Jogo 4 tem controle do ritmo versus tentativa de manter decisão para o fim

O Jogo 4 entre Flamengo e Ceisc/União Corinthians, nesta quinta-feira (30/04), às 19h30, no Maracanãzinho, chega com uma leitura bastante clara construída ao longo da série. Em dois dos três jogos, o time carioca conseguiu impor seu ritmo, controlando o andamento da partida e neutralizando as principais ações do adversário. No único duelo em que isso não aconteceu, o cenário se equilibrou, o jogo ficou mais controlado pela equipe gaúcha e a vitória veio nos instantes finais. É nesse contraste que o confronto se sustenta.

O Flamengo tem encontrado sua força principalmente na defesa, que funciona como ponto de partida para tudo o que constrói ofensivamente. Há consistência em limitar o trabalho ofensivo do Ceisc/União Corinthians e transformar esse comportamento em transição. Franco Baralle resume esse entendimento. “Claro que estar bem ofensivamente é muito importante, mas estamos focados no lado defensivo. Manter a postura defensiva agressiva, limitar as principais ações do União Corinthians, as principais peças deles. A chave dessa série está na defesa.”

A fala reforça a ideia de que o controle do jogo passa diretamente por esse primeiro impacto defensivo. A partir disso, o Flamengo consegue acelerar e organizar melhor suas ações ofensivas. Baralle tem sido peça central nesse processo, com média de 8,6 assistências na série, assumindo a responsabilidade de leitura e organização do ritmo do time.

Ele mesmo explica essa dinâmica. “Nos playoffs, cada time faz seus ajustes. Sabemos contra quem estamos jogando, estudamos muito as defesas que eles implementam. Tento sentir o momento de cada jogador, ver quem está bem no jogo para atacar. Mas sinto que nós defendendo e jogando de forma dinâmica facilitamos todo esse processo. O mais importante para nós é defender bem e nos sentir confortáveis para atacar rápido”, afirmou o argentino.

Em desvantagem na série, o Ceisc/União Corinthians entende que precisa reduzir esse impacto inicial do Flamengo para conseguir competir em igualdade. Foi assim no Jogo 2, quando a equipe conseguiu controlar melhor suas ações ofensivas e impedir que o adversário transformasse tantos erros em transição.

“Precisamos fazer, de novo, uma partida mais próxima do que foi o jogo 2. Um jogo mais parelho, mais equilibrado, principalmente nas nossas ações ofensivas, de conseguir ter um controle maior do jogo e do cuidado para não perder as bolas e para atacar direito e não gerar tanta situação de transição, que é a maneira que eles estão mais gostando de jogar e estão se sentindo mais confortáveis. Então, tentar fazer mais o que queremos fazer e não as coisas que eles estão se propondo a deixar nós fazermos. Tentar ter um pouco desse controle maior da partida para levar o jogo ali parelho até o final e tentar vencer. Como foi no jogo 2, e bem diferente do que foi o jogo 1 e o 3, em que o jogo acabou desgarrando”, afirmou André Góes.

 

A ideia de controle aparece como ponto central da estratégia gaúcha. Dentro desse cenário, o ala-armador também tem papel importante na sustentação ofensiva da equipe. Com média de 13,6 pontos na série, ele surge como uma das principais referências em um contexto em que o Flamengo tem conseguido limitar outras opções do time. Ele próprio reconhece as dificuldades impostas pelo adversário.

“Realmente, acho que defensivamente eles estão bem fortes na série. Nesse sentido, conseguir anular os nossos principais pontos fortes, nossas principais jogadas. Temos de achar outros caminhos. Se apoiar bastante no jogo coletivo. Nessa situação de tentar gerar vantagem para os companheiros, tentar facilitar a vida dos outros para assim achar esses espaços. Toda defesa acaba tendo uma certa vulnerabilidade. Se propõe a marcar algumas coisas e acaba abrindo outras. Temos de fazer um jogo muito inteligente nesse sentido para conseguir, como eu disse anteriormente, termos um controle maior dentro do jogo e assim dificultar também as ações do Flamengo”, analisou.

O aspecto emocional também pesa neste momento da série. O Flamengo tenta manter o nível de concentração mesmo após vitórias consistentes, enquanto o Ceisc/União Corinthians lida com a pressão de um cenário cada vez mais decisivo.

Baralle resume esse ambiente antes do Jogo 4. “A verdade é que, nos playoffs, o peso emocional é muito forte. Quando um time ganha, não pode relaxar. Quando perde, não pode esmorecer. Tem de pensar no jogo seguinte, nas correções. A série não acaba até alguém vencer os três jogos. Não tem nada para relaxar, pensar que já estamos na próxima fase. Temos de focar 100% no jogo, só isso interessa.”

 

Já André Góes destaca a experiência do grupo em situações semelhantes. “Já vivemos isso no jogo 2 em casa, com essa pressão. Tínhamos perdido o primeiro jogo no Rio, tínhamos de vencer os jogos em casa. O jogo 2 e o jogo 3 já tiveram esse sentimento para nós. Lógico que agora é oficialmente um tudo ou nada, mas já eram os anteriores. Estamos prontos para continuar fortes e sabendo dessa pressão. É algo que vivemos durante a temporada inteira. Sabíamos que era importante estar em posições maiores, até pelo mando de quadra, mas, infelizmente, não conseguimos. Agora é realmente esse controle, esse estudo dos adversários. Já é um momento em que os dois times se conhecem muito. É ter confiança também em tudo o que fizemos para entrar em quadra e fazermos mais uma ótima partida e tentar empatar essa série”, finalizou.

Com isso, o Jogo 4 tende a ser definido menos por surpresas e mais pela execução dos dois lados. O Flamengo busca repetir a consistência defensiva que tem marcado suas melhores atuações na série. O Ceisc/União Corinthians tenta equilibrar o jogo, reduzir erros e manter o confronto em um cenário de disputa até o fim. Entre essas duas propostas, está o ponto de equilíbrio que pode direcionar o rumo da série.

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