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NBB Caixa

É clássico!

03-05-2026 | 02:29
Por Marcius Azevedo

Em uma série que vai além dos atuais elencos, Pinheiros e Paulistano levam à quadra projetos consolidados, sustentados por formação, continuidade e execução, em rivalidade histórica

Pinheiros e Paulistano protagonizam um clássico que sintetiza o que há de mais estruturado no basquete brasileiro. É o encontro entre dois projetos que não se explicam apenas pelo elenco da vez, mas por anos de investimento em formação, continuidade de ideias e presença constante em ambientes competitivos de alto nível. Quando se enfrentam, não é só um jogo de temporada regular ou, neste caso, uma série de playoffs, mas o choque entre filosofias consolidadas, capazes de produzir partidas densas, estratégicas e invariavelmente decididas nos detalhes. É esse lastro que transforma o duelo que tem o primeiro capítulo nesta segunda-feira (04/05), às 20h, no Poliesportivo Henrique Villaboim, em referência, um confronto que exige execução no limite.

A rivalidade se sustenta também fora do elenco principal. Pinheiros e Paulistano são referências na formação de atletas no país, e esse confronto se repete desde as categorias de base, criando uma linha contínua de enfrentamentos que amadurece jogadores dentro de um ambiente altamente competitivo. Não por acaso, muitos dos protagonistas atuais já se conhecem de longa data, o que eleva o grau de entendimento do jogo e reduz margens para surpresa.

Pinheiros fez um grande jogo no segundo turno para vencer o Paulistano. Foto: Ricardo Bufolin/ECP

O histórico recente reforça esse cenário de equilíbrio extremo. O encontro pela Copa Super 8, decidido apenas após duas prorrogações e com vitória do Pinheiros, é um retrato fiel do que esse clássico costuma entregar: intensidade, resiliência e definição nos limites físicos e mentais. É esse pano de fundo que sustenta mais um confronto, em que o resultado raramente é fruto do acaso e quase sempre consequência de quem executa melhor sob pressão.

Existe ainda um componente simbólico que diferencia os lados. O Paulistano já percorreu o caminho completo até o topo e levantou o título do NBB CAIXA na temporada 2017/18, consolidando um modelo vencedor. O Pinheiros, por outro lado, segue na perseguição a essa conquista inédita, carregando consigo um senso de construção contínua e de urgência competitiva que aparece em momentos decisivos. Esse contraste adiciona tensão e significado a cada novo capítulo do confronto.

Taticamente, o duelo ganha contornos claros a partir das identidades das equipes. Com Gustavinho de Conti, o Pinheiros costuma apostar em intensidade, imposição física e domínio dos rebotes, buscando ditar o ritmo a partir da energia e da pressão constante. Já o Paulistano, de Demétrius Ferracciú, opera em outra frequência, com organização, disciplina e leitura refinada de posse, valorizando o controle do jogo e a consistência defensiva. Quando essas ideias se encontram, o resultado é um jogo de encaixes, ajustes e respostas, em que pequenas vantagens se tornam determinantes.

DESTAQUES

Agapy foi um dos pilares do Pinheiros nas oitavas de final, assumindo protagonismo no garrafão ao longo da série contra o Conta Simples Rio Claro. Com presença física constante e boa eficiência nas ações próximas à cesta, o pivô sustentou três atuações muito sólidas, fechando com médias de 16 pontos e sete rebotes, além de 22 de eficiência. Logo no Jogo 1, deu o cartão de visitas ao atingir sua melhor marca pessoal no NBB CAIXA, com 22 pontos. Ao longo da série, manteve regularidade tanto ofensiva quanto defensivamente, contribuindo também na proteção de aro e no domínio dos rebotes, aspectos que ajudaram a equipe a impor seu ritmo.

Pelo Paulistano, Lucas Siewert teve papel igualmente decisivo, adaptando-se à função de pivô em uma série exigente diante de Andrezão e do jogo físico do Bauru Basket. Mesmo atuando mais próximo ao garrafão, conseguiu manter alto nível de produção ofensiva, com médias de 16 pontos e 7,2 rebotes, além de 21,7 de eficiência. Sua versatilidade foi um diferencial importante: além de disputar espaço interno, também abriu a quadra com inteligência, convertendo 47,6% das bolas de três, o que dificultou os ajustes defensivos do adversário. Ao longo dos jogos, mostrou capacidade de impactar em diferentes momentos, seja pontuando, brigando pelos rebotes ou contribuindo para o espaçamento ofensivo da equipe.

FORÇA DO BANCO

Cauã Pacheco e Edson Tovar foram peças de impacto importante para Pinheiros e Paulistano nas oitavas de final, oferecendo intensidade e mudança de ritmo sempre que acionados. Pelo lado azul e preto, o armador teve papel decisivo na rotação, com médias de 15,6 pontos, três rebotes e 2,6 assistências em apenas 21,2 minutos por jogo, além de 13,3 de eficiência, sendo frequentemente responsável por manter nível ofensivo da equipe ao entrar em quadra. Já o venezuelano cumpriu função semelhante no Paulistano, contribuindo com energia, organização e agressividade, fechando a série com 8,7 pontos, três rebotes e 2,7 assistências em 18,7 minutos por partida, com 10,5 de eficiência. Mesmo com menos volume ofensivo, sua presença ajudou a dar equilíbrio à equipe, especialmente na condução do jogo e na consistência. Eles serão novamente importantes nas quartas de final.

 TREINADORES

O duelo entre Gustavinho de Conti e Demétrius Ferracciú carrega não só o peso tático da série, mas também uma história rara de longevidade e relação construída ao longo dos anos no NBB CAIXA. Ambos estão entre os treinadores mais duradouros da competição, com trajetórias marcadas por identidade clara de jogo e forte influência no desenvolvimento de elencos. Mais do que contemporâneos, são profissionais com convivência próxima no basquete brasileiro, o que adiciona uma camada extra ao confronto: há conhecimento profundo mútuo, leitura de tendências e até certa antecipação de ajustes. De um lado, Gustavinho é conhecido por equipes intensas, físicas e dominantes nos rebotes; do outro, Demétrius costuma estruturar times disciplinados, organizados e com forte compromisso defensivo. Esse embate entre dois técnicos experientes e que se conhecem bem transforma a série também em um jogo de xadrez na beira da quadra, em que cada detalhe estratégico pode fazer a diferença.

Paulistano venceu o clássico com o Pinheiros no primeiro turno. Foto: Willian Oliveira/Foto Atleta

CAMPANHAS NA TEMPORADA REGULAR

PINHEIROS (2º): 38J; 30V e 8D (78,9%). EM CASA: 18-1; FORA: 12-7
PAULISTANO (7º): 38J; 24V e 14D (63,2%). EM CASA: 15-4; FORA: 9-10

OITAVAS DE FINAL

Na série contra o Conta Simples Rio Claro, o Pinheiros confirmou o favoritismo e fechou em 3 a 0, mas com diferentes roteiros. Após uma vitória mais confortável na abertura, quando dominou amplamente os rebotes, sobretudo ofensivos, e teve Agapy como destaque, a equipe de Gustavinho De Conti manteve o controle fora de casa ao vencer o Jogo 2, desta vez com maior participação ofensiva de Cauã Pacheco. O confronto mais dramático veio no terceiro duelo: o time rio-clarense chegou a liderar por longos períodos, impulsionados por Gemadinha e Fermín Thygesen, mas o Pinheiros reagiu no fim, levou o confronto para a prorrogação e fechou a série, com David Sloan decisivo com 16 pontos e oito assistências.

Jogo 1: Pinheiros 95 x 80 Conta Simples Rio Claro
Jogo 2: Conta Simples Rio Claro 79 x 88 Pinheiros
Jogo 3: Conta Simples Rio Claro 88 x 94 Pinheiros

Já o Paulistano levou a melhor sobre o Bauru Basket por 3 a 1 em um confronto de alternância de controle e ajustes táticos ao longo dos jogos. A equipe alvirrubra começou com vitória apertada por 80 a 77, em duelo decidido nos detalhes. No Jogo 2, fora de casa, o Paulistano teve mais uma atuação coletiva consistente. O Bauru Basket reagiu no terceiro confronto, fazendo valer o mando no Panela de Pressão. No Jogo 4, o Paulistano retomou o controle com uma atuação defensiva sólida, limitou o adversário a 62 pontos e contou com boa atuação de Lucas Siewert, terminando o confronto com 14 pontos e sete rebotes para 17 de eficiência.

Jogo 1: Paulistano 80 x 77 Bauru Basket
Jogo 2: Bauru Basket 80 x 95 Paulistano
Jogo 3: Bauru Basket 88 x 75 Paulistano
Jogo 4: Paulistano 71 x 62 Bauru Basket

DUELOS NA TEMPORADA REGULAR

Pinheiros e Paulistano conquistaram cada um uma vitória em jogos com roteiros distintos, mas igualmente intensos. No primeiro turno, o Paulistano levou a melhor por 81 a 76, no Antonio Prado Jr., em um clássico decidido nos instantes finais, após controlar boa parte do jogo, suportar a reação do Pinheiros no último período e contar com atuações importantes de Kaleb Hunter e Lucas Siewert.

Já no segundo encontro, o Pinheiros deu o troco com uma vitória mais consistente por 80 a 68, no Poliesportivo Henrique Villaboim, impondo seu ritmo desde o início, com forte atuação coletiva e destaques para Betinho, Djalo e David Sloan, em um resultado que encerrou uma sequência negativa de seis jogos no confronto direto.

HISTÓRICO DO CONFRONTO

Pinheiros e Paulistano se enfrentaram 38 vezes na história do NBB CAIXA. A equipe alvirrubra conquistou 22 vitórias (58%), enquanto o time azul e preto saiu vencedor em 16 oportunidades (42%).

A primeiro clássico entre eles aconteceu em 3 de fevereiro de 2009, quando o Pinheiros superou o Paulistano por 82 a 65, no Poliesportivo Henrique Villaboim. Marquinhos foi o principal destaque daquele jogo inaugural com 24 pontos, seis rebotes e quatro assistências. Rafa Mineiro terminou como maior pontuador do time alvirrubro com 17 pontos, além de sete rebotes.

A primeira vitória do Paulistano aconteceu apenas na temporada seguinte, no confronto válido pelo segundo turno do NBB CAIXA 2009/10. No Antonio Prado Jr., triunfo por 80 a 85, com grande atuação de Fernando Penna. Ele fechou aquele clássico com 23 pontos, seis rebotes e cinco assistências. Olivinha foi o principal nome do Pinheiros com um duplo-duplo de 30 pontos e 11 rebotes.

Resultado de maior pontuação de uma das equipes: Pinheiros 111 x 88 Paulistano (01/02/2011 – 1º Turno)

Resultado de maior vantagem: Paulistano 80 x 51 Pinheiros (16/02/2024 – 2º Turno)

HISTÓRICO EM PLAYOFFS

Pinheiros e Paulistano se enfrentam apenas uma vez em uma série de playoffs. Foi pelas oitavas de final do NBB CAIXA 2009/10. A equipe azul e preto havia terminado na sexta colocação e enfrentou o Alvirrubro, que terminou em 11º na fase regular. À época, os quatro primeiros colocados avançavam diretamente às quartas.

Em uma melhor de cinco jogos, o Pinheiros superou o Paulistano por 3 a 0, mas com placares apertados. A maior diferença apareceu logo na abertura da série, quando o time azul e preto venceu por 101 a 93. Nos confrontos seguintes, porém, o cenário foi de absoluto equilíbrio: triunfo por 94 a 92 no Jogo 2 e uma vitória por 74 a 73 no Jogo 3, quando Olivinha registrou um duplo-duplo de 25 pontos e 20 rebotes.

CALENDÁRIO DA SÉRIE

Pinheiros (2º) x Paulistano (7º)

Jogo 1 — 04/05 (segunda-feira), 20h — Pinheiros x Paulistano (Henrique Villaboim) — YouTube do NBB CAIXA
Jogo 2 — 07/05 (quinta-feira), 19h — Paulistano x Pinheiros (Antônio Prado Jr.) — ESPN e Disney+
Jogo 3 — 09/05 (sábado), 20h30 — Paulistano x Pinheiros (Antônio Prado Jr.) — YouTube do NBB CAIXA
Jogo 4* — 12/05 (terça-feira), horário a definir — Pinheiros x Paulistano — (Henrique Villaboim) – a definir
Jogo 5* — 14/05 (quinta-feira), horário a definir — Pinheiros x Paulistano — (Henrique Villaboim) – a definir

*Se necessário