HOJE
Olhar clínico
Por Liga Nacional de Basquete
Danilo Castro, Gustavinho Lima, Leonardo Sasso e Pedro Maia destrincham os duelos das quartas, destacando encaixes, pontos de pressão e os fatores que podem definir cada série
Com os playoffs entrando na segunda fase de mata-mata, quatro olhares especializados ajudam a decifrar os caminhos das quartas de final do NBB CAIXA 2025/26. Danilo Castro, Gustavinho Lima, Leonardo Sasso e Pedro Maia foram convidados para analisar os confrontos, cada um responsável por destrinchar uma série, trazendo leituras táticas, pontos de atenção e indicando os caminhos que podem definir os duelos em uma etapa marcada por equilíbrio, identidade e execução no limite.
Sesi Franca (1º) x Mogi Basquete (9º)
Por Danilo Castro, comentarista da Xsports.
Uma série que reúne muita tradição, história, cidades e comunidades envolvidas, além de muito talento e, com certeza, emoção. Classifico assim o playoff entre Sesi França e Mogi.
Começando pelo líder da temporada regular e atual campeão do NBB CAIXA, o Sesi Franca teve uma campanha bastante sólida: 32 vitórias e 6 derrotas, sendo muito equilibrado nos números. Em casa 16-3 e fora também 16-3.
Equipe muito difícil de ser batida, possui vários jogadores com capacidade muito alta de decisão. Melhor ataque da competição com 90,6 pontos, além de 35% nas bolas de três pontos e 60% nas bolas de dois pontos. Time possui peças que dão ao técnico Helinho Garcia grandes possibilidades de opções táticas. O núcleo vem junto e vencendo há algumas temporadas, e isso faz grande diferença.
Georginho vive grande fase e é o atleta mais eficiente da competição, além de forte candidato a MVP. Conta ainda com a ajuda do sempre muito eficiente DJ, do craque Lucas Dias, do experiente e dominante Cristiano Felício, além de Rafael Mineiro, Rodriguez, Bennett, Latterza e os ótimos jovens Zu Jr. e Vini Santos.
Você sobe tudo isso à tradição, torcida, Pedrocão e ao comando do Cada Ano Melhor, Helinho Garcia.
Franca tem o favoritismo na série, mas sabe que terá um adversário muito duro pela frente.

Lucas Dias e Vini Chagas em confronto pela temporada regular. Foto: Marcos Limonti/RELANCE
Mogi vem de uma série de playoffs contra o Mr. Moo São José Basketball simplesmente impecável, na qual não deixou dúvidas sobre seu nível e estágio atual na competição.
Muito bem dirigida pelo ótimo Fernando Penna, a equipe terminou a fase de classificação na nona colocação, com 21-17. Defende bem sua quadra, onde tem 12-7, mas, para avançar nessa série difícil, terá que melhorar o 9-10 fora de casa.
A média de pontos é de 76,3 pontos, e isso demonstra que Mogi terá que defender como nunca o adversário.
O elenco mescla experiência e juventude.
Hinkle, ex-Sesi Franca, é a esperança ofensiva de Mogi, que ainda conta com o comandante e ótimo armador Ruivo, Gabriel Campos, Dikembe e o trabalho sempre muito eficiente de Menca, Paulo e Duane Johnson.
Mogi também é uma cidade que respira basquete e ama o basquete, tem tradição, títulos, camisa pesada e fará de tudo para avançar à semifinal do NBB 2025/26. Sabe bem o impacto que uma vitória nessa série causaria na cidade, na comunidade mogiana.
Além do ótimo duelo no banco de reservas entre Helinho Garcia e Fernando Penna, gostaria de destacar o duelo de gigantes no garrafão entre Cristiano Felício e Dikembe. Homens altos, fortes, que gostam do contato, jogo físico e jogam muito bem de frente, mas principalmente de costas para a cesta. Quem será dominante no garrafão?
Série sensacional!!!!
Pinheiros (2º) x Paulistano (7º)
Por Gustavinho Lima, comentarista da ESPN e do YouTube do NBB CAIXA.
Só o clássico já garante o espetáculo, mas os times vêm muito bem dos dois lados da quadra e têm dois treinadores que já foram campeões e sabem fazer ajustes ao longo dos playoffs. Gustavinho de Conti e Demétrius na minha visão estão sem dúvidas entre os melhores da história da competição.
Pinheiros tem 19 vitórias em 20 jogos jogando em casa no NBB CAIXA, ao passo que o CAP tem 10-11 fora. O mando por si só já pode ser um diferencial na série.
Dois times que jogam muito bem taticamente.
Não tem cesta fácil: Pinheiros, o time que menos sofre pontos dentro do garrafão (27,6). CAP tem uma defesa com muita energia e pressão na bola, mas é o 6º time que mais leva pontos na zona pintada (35,2). Proteger o aro pros roll do Agapy e infiltrações do Sloan e Pacheco tem que ser um dos pontos de alerta.
Siewert, na melhor temporada da carreira, vem muito bem nos playoffs e pode ser a peça de desequilíbrio para o CAP. São 16 pontos + 7 rebotes de média com quase 50% nos três pontos. Vai ser um grande duelo na defesa para o Djalo, que também está jogando muito firme.

Pedro Pastre e Gui Abreu em duelo pela fase regular. Foto: Ricardo Bufolin/ECP
A batalha de rebotes vai ser linda. CAP é o 3º que mais faz pontos de 2ª chance (10,3) e o time que menos deixa o adversário pegar rebotes ofensivos (25,6% dos rebotes disparados). O Pin tem o rebote de ataque (TAG) como mantra e, mesmo sendo muito agressivo, 1º em RO (34,4% dos rebotes disputados) e pontos de segunda chance (11,5), é o quarto que menos leva contra-ataque (10,3 pontos).
Gui Abreu pelo CAP e Agapy pelo Pin são dois dos melhores do campeonato nesse fundamento.
Dois dos melhores armadores da nova geração em quadra. Vitinho em uma evolução absurda na temporada contra Cauã Pacheco, que foi o cara do Pinheiros na série contra o Rio Claro.
Diminuir os pontos dos gringos pode ser chave também. Sloan e Hunter são muito bons no 1×1, e tentar mantê-los longe das infiltrações e fazerem chutar contestado de 3 pode ser um caminho.
Muito equilíbrio, intensidade e ajustes nessa série de tirar o fôlego.
KTO Minas (3º) x Corinthians (6º)
Por Leonardo Sasso, comentarista da ESPN e do YouTube do NBB CAIXA
Equilíbrio: o KTO Minas é o time que mais acerta bolas de 2 pontos, principalmente pelo seu jogo perto do aro e de infiltrações, mas contra o Corinthians teve ambas as partidas tendo mais bolas de 3 do que o adversário, com 14 e 12. Se conseguir arremessar em grande nível de fora, com a bola de 2 também caindo, fica difícil pro Timão.
Defesa: nos outros anos, o Minas sempre teve defesas muito sólidas, mas nessa temporada é a 7ª pior. No seu melhor jogo contra o Cruzeiro, o 3º da série, levou menos de 80 pontos. Contra um ataque sólido como é o do Corinthians, vai precisar da defesa no mais alto nível.

Munford com Yuri no jogo de estreia de KTO Minas e Corinthians na temporada. Foto: Hedgard Moraes/MTC
Corinthians precisa cuidar os erros — se é o time que dá mais assistências, também é um time que erra bastante: são 15 TOs de média no NBB CAIXA. O KTO Minas ainda não encaixou a sua melhor defesa, mas o jogo contra o Timão funciona, e cuidar bem da bola é um fator primordial para o sucesso na série.
Arremesso de fora — contra o KTO Minas, na regular, foram 6 e 10 bolas de 3 convertidas, mas em ambos os jogos com 30% ou menos do perímetro. Melhorar o arremesso de fora, que é uma das chaves do Corinthians na temporada, também é importante.
O que precisa fazer também?
— KTO Minas é o time que mais leva pontos de 2ª chance. Foco no rebote ofensivo. Quanto mais, melhor.
— Dupla norte-americana: muito do jogo do Corinthians passa por Thomas e Clark. Essa dupla precisa ter cinco (ou menos) jogos muito bons. Thomas foi o cestinha do Timão nos dois confrontos da regular. Clark teve 17 pontos em um e só 7 no outro.
CAIXA/Brasília (4º) x Flamengo (5º)
Por Pedro Maia, comentarista do SporTV.
Virtudes: A defesa mais eficiente da fase regular se impôs nas oitavas e certamente vai seguir como trunfo do Brasília na série contra o Flamengo. O time da capital foi o que menos sofreu pontos por jogo nas oitavas, limitando o Caxias a uma média de 67,5 em 4 jogos. Isso aconteceu muito pela capacidade do Brasília de equilibrar defesa interna com defesa de perímetro, de combinar congestionamento de garrafão com ajudas controladas e criteriosas, que não abandonou a linha de três. O Brasília teve o mérito de limitar o Caxias de arremessadores como Shamell, Vezaro e Augusto a apenas 29,3% de 3 pontos na série.
Fraquezas: Ao fim da série contra o Caxias, ficou a sensação de que o Brasília não tem tanto fôlego na criação individual em momentos de pressão quanto os principais postulantes da temporada. É um time bastante homogêneo que, nos momentos decisivos, pode se apoiar em Crescenzi, Corvalán, Paulichi ou Von Haydin, mas nenhum deles sobressaiu em finais de partidas tensas dentro da série. O Brasília teve uma média de apenas 16,2 pontos nos quartos períodos contra o Caxias, e se não fosse a cesta de Paulichi no estouro do relógio do jogo 4, a série teria ido para um quinto jogo. Em resumo, considerando contextos de pressão de um mata-mata, vejo o Brasília com um teto ofensivo mais baixo em relação a outros grandes postulantes.
Chave contra o Flamengo: Acho fundamental que o Brasília se mantenha fiel à sua identidade de potência defensiva contra um dos melhores ataques do NBB. Saber defender o garrafão sem ceder espaço no perímetro, sendo criterioso nas ajudas, escolhendo bem quando passar por baixo ou por cima do bloqueio, vai ser vital para o sucesso da equipe. O Flamengo foi um dos melhores times do campeonato em aproveitamento de bolas de três, o melhor das oitavas com 40,4%, e limitar esse desempenho à casa dos 29-32% é inegociável. Caso contrário, o Brasília vai ser obrigado a acompanhar o Flamengo na produção ofensiva.

Wesley e Brunão no duelo entre CAIXA/Brasília e Flamengo pelo segundo turno. Foto: Luiz Eduardo
Virtudes: O Flamengo chega para a série tendo o ataque como grande trunfo. Foi o segundo ataque em eficiência na fase regular e, depois do Minas, o ataque que mais produziu nas oitavas (94,7 ppj), mostrando variação entre perímetro, meia distância, garrafão e contra-ataques. Contra o União Corinthians, o Flamengo teve 60% de aproveitamento nos chutes para 2 pontos e 40% para três pontos, anotou 13,5 pontos por jogo em contra-ataques, teve 6 jogadores com pelo menos 10 pontos de média na série. Isso é variação em múltiplos aspectos. A possibilidade de retorno do Alexey deixa a perspectiva ofensiva ainda mais favorável.
Fraquezas: O grande ponto de atenção para o Flamengo na série contra o Brasília é a consistência defensiva, especialmente de pick and roll e de garrafão. A temporada de altos e baixos mostrou que uma referência defensiva como Ruan Miranda na área pintada fez falta. O time foi 12º em pontos sofridos no garrafão (34,3, sendo que na série contra o União Corinthians, essa média subiu para 35,0 pontos por jogo). A equipe se vê constantemente em dificuldade quando não consegue sustentar o 1 contra 1 “lá fora”, quando perde foco e capacidade de pressionar a bola. Vulnerabilidade no garrafão é definitivamente um elo fraco no lado Rubro-Negro.
Chave contra o Brasília: O Flamengo vai dar um grande passo dentro da série se conseguir defender o garrafão com consistência, sustentar o 1 contra 1, forçar o ataque para a lateral e ter boa comunicação na cobertura de pick and roll. A regra número 1 para o Flamengo na série é proteger o garrafão, impedir que o Brasília jogue com conforto “lá dentro”.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo do Brasil, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
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