HOJE
Dirigente e pivô
Por Marcius Azevedo
Presidente da ABLUJHE, entidade que tem o Unoesc Basket Joaçaba como sua equipe de alto rendimento, onde ele atua como atleta na Liga Ouro, Nandão une gestão com suor em quadra
“Pênalti é tão importante que quem devia bater era o presidente.” A frase eternizada por Neném Prancha atravessou gerações no futebol, mas ganha contornos ainda mais curiosos quando transportada para o basquete. Se aquela última bola decisiva de um jogo tivesse que sair das mãos do mandatário, no Unoesc Basket Joaçaba, equipe catarinense que participa da Liga Ouro 2026, isso não seria apenas uma força de expressão. Poderia ser realidade.
Fernando Rodrigues Ferreira da Silva, o Nandão, é o personagem desta inédita história nas competições da Liga Nacional de Basquete. Presidente da Associação de Basquete de Luzerna, Joaçaba e Herval d’Oeste (ABLUJHE), entidade que tem o Unoesc Basket Joaçaba como sua equipe de alto rendimento, ele também faz parte do elenco do técnico Athos Calderaro. E não como coadjuvante: o pivô de 35 anos começou como titular nos dois primeiros jogos da competição contra o Grupo BT/Clube de Campo de Tatuí e o Fluminense.

Nandão em ação pelo Unoesc Basket Joaçaba na Liga Ouro 2026. Foto: Antônio Levkovicz
A cena chama atenção porque rompe a lógica tradicional do esporte profissional. Em geral, dirigentes ocupam camarotes, analisam planilhas e pensam o futuro a médio e longo prazo. Nandão faz isso, mas também se posiciona no garrafão, briga por espaço, executa bloqueios e sente o impacto físico de cada disputa por rebote. O planejamento administrativo convive com o suor na quadra.
“Antes de pensar na responsabilidade que envolve gerir uma equipe emergente e permanecer defendendo a camisa em quadra, afirmo que é gratificante ter a oportunidade de estar imerso no basquete, usufruindo das oportunidades que a modalidade me proporcionou e devolvendo ao fomentar uma equipe que investe da iniciação ao alto rendimento”, afirmou.
A gratidão, porém, não elimina o desafio. A autoridade institucional não pode interferir na meritocracia esportiva. “Conciliar gestão com atuação requer maturidade, exige resiliência para não misturar os papéis e saber assumir a demanda na sua determinada hora e, principalmente, respeito com o grupo, ciente e trabalhando para conquistar o espaço em quadra por mérito e nunca por ‘nepotismo’”, disse, rindo. “Particularmente, é um trabalho diário para saber virar a chave, e confesso que não é fácil.”
Experiência
A trajetória de Nandão é sustentada por quase duas décadas de vivência no basquete. Campeão da Liga de Desenvolvimento de Basquete pelo Bauru Basket em 2012, com passagem também pelo NBB CAIXA, onde defendeu o próprio time bauruense e o Caxias do Sul, ele construiu repertório técnico e humano que hoje respalda sua função fora das quatro linhas. “Os quase 20 anos de estrada permitiram estar pronto para assumir essa responsabilidade, mesmo que não tenha sido premeditado.”

Nandão em ação pelo Caxias do Sul Basquete no NBB 2017/18. Foto: Thiago Moreira/Vasco
Ele próprio reconhece que a formação veio da diversidade de contextos. “A oportunidade de ter atuado em grandes equipes, e também atuado em outras com estruturas menos favorecidas, proporcionou que eu sentisse na prática o que determina bons resultados tanto dentro quanto fora de quadra”, pontuou. Aprendeu mais do que sistemas ofensivos ou defensivos. “Entendi a importância da dignidade e valorização do profissional do esporte, bem como a sustentabilidade e longevidade necessárias para que um clube possa se perpetuar, ganhar fãs e consequentemente se tornar sólido para receber investimento e figurar entre os grandes.”
Em quadra, sua identidade sempre foi clara. “Eu sempre me considerei um jogador de função, o famoso ‘carregador de piano’. Minha principal característica sempre foi a defesa, a doação pela equipe, o senso de proteção dos companheiros, boa relação com o grupo.” A descrição encaixa perfeitamente no papel que exerce hoje: alguém que pensa o coletivo antes do individual. “Isso é algo que trago da minha formação como pessoa, da criação familiar, e com certeza é o que favorece o status de liderança: pensar e atuar pelo bem comum.”
Curiosamente, tudo começou sem roteiro traçado. “O basquete entrou na minha vida de maneira inesperada, pois nunca tive uma referência familiar ou no círculo de amigos que já tivessem praticado.” Vieram 15 anos dedicados exclusivamente à modalidade, passagens por diversos clubes, títulos estaduais e nacionais, até o convite que mudaria o rumo da carreira. “Conheci a equipe a convite de dois grandes amigos, Renan Pazin e David Perusso, que também são gestores do Basket Joaçaba, e neste momento eu entendi que conseguiria colaborar ainda mais com a modalidade assumindo a gestão do projeto usando a experiência e a vivência dos anos de carreira.”
Visão de dirigente
O primeiro contato mais profundo com a cidade do Meio-Oeste catarinense ocorreu coincidentemente após disputar a Liga Ouro em 2019, pelo Blumenau. Mas o projeto vai além do adulto masculino. A visão é estrutural e comunitária. “A ABLUJHE olha com o mesmo carinho para sua equipe vitrine como olha para o projeto MINI BSKT, que trabalha iniciação esportiva com crianças de 5 a 12 anos, bem como investe nas categorias de formação da BASE ABLUJHE, que no ano de 2026 também passa a participar do CBI, e se organiza para começar a atuar no esporte de participação com um projeto de Basquete Adaptado para idosos e retomada de uma equipe de Basquete Master.”

Nandão, na função de presente, com o tesoureiro David Perusso, o presidente da Federação Catarinense de Basquete, Sérgio Carneiro, o diretor técnico Renan Pazin e o técnico Athos Calderaro. Foto: Antônio Levkovicz
O objetivo de chegar ao topo existe, mas não é isolado. “Muito mais que o sonho de figurar entre os grandes na disputa do NBB, o clube quer atender à comunidade em todas as faixas etárias, da iniciação à melhor idade, passando por equipes de rendimento, e assim ser a pioneira do país no quesito atendimentos.”
No resumo que faz do próprio trabalho, Nandão une o dirigente e o atleta em uma mesma frase. “A visão do clube é entender o que é minimamente necessário para manter uma estrutura digna, cumprir acordos e respeitar o profissional, competir em alto nível, investir na iniciação e formação esportiva, atender à comunidade em geral como esporte de participação e criar a cultura da modalidade no Meio-Oeste Catarinense.”
E assim, quando o jogo aperta e a posse final pede coragem, a lembrança de Neném Prancha volta a fazer sentido. No Unoesc Basket Joaçaba, se a última bola cair nas mãos do presidente, ninguém estranha. Afinal, ele já está em quadra por mérito, convicção e escolha.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
Basket Osasco
Bauru Basket
Botafogo
CAIXA/Brasília Basquete
Caxias do Sul Basquete
Corinthians
Cruzeiro
Flamengo
Fortaleza Basquete Cearense
Sesi Franca
KTO Minas
Mogi Basquete
Pato Basquete
Paulistano
Pinheiros
Conta Simples Rio Claro
Mr. Moo São José Basketball
Ceisc/União Corinthians
UNIFACISA
Vasco da Gama
América Towers
Unoesc Basket Joaçaba
Brusque Basquete
Grupo BT/Clube de Campo de Tatuí
Fluminense
IVV/CETAF
ADRM
B.Cearense
Botafogo
Campo Mourão
Caxias
Corinthians
Flamengo
Minas
Paulistano
Pinheiros
São José Basketball
São Paulo FC
SESI Franca
Thalia/PH.D Esportes
UNIFACISA
Vasco/Tijuca