HOJE
Talento brasileiro
Por Marcius Azevedo
Destaque na base de Palmeiras e Pinheiros, Brenno Harnbaker, armador de apenas 15 anos, inicia trajetória como aposta do Real Madrid cercado de expectativa e confiança no próprio jogo
Aos 15 anos, Brenno Harnbaker já veste uma das camisas mais pesadas do basquete mundial. Depois de chamar atenção nas categorias de base do Palmeiras e do Pinheiros, o armador desembarcou na Espanha como uma das grandes apostas internacionais do Real Madrid para o futuro. E bastou pouco tempo (pouco tempo mesmo, apenas uma semana) para viver a primeira experiência que parecia distante até pouco tempo atrás: a estreia pelo clube espanhol e já com o primeiro título, na conquista da Liga Ahorramas Sub-16 2026.
Mas, antes de ser o garoto brasileiro escolhido pelo Real Madrid, Brenno era apenas um menino de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, apaixonado por basquete desde muito cedo. Quis ser como o pai, Paulo. E como o irmão, Otávio, de 18 anos, que atualmente defende o Flamengo após se destacar no Mogi Basquete. “Eu quis seguir os passos deles. Cada vez que eu via meu irmão jogar, eu ficava com muita vontade de ser igual a ele, de querer fazer as coisas igual a ele”, contou o garoto.

Brenno em ação no primeiro jogo pelo Real Madrid no último final de semana. Foto: Óscar Ribas / Miriam Fernández
A família foi uma base sólida na construção da sua trajetória. “O papel da minha família desde pequeno foi muito importante para mim. Se você tem o apoio da sua família, fica muito mais fácil continuar seguindo o seu sonho. Todo mundo sabe que não é fácil. É muito difícil, tem obstáculos para enfrentar. No meu caso, eu tive muito apoio da minha mãe, da minha avó, do meu avô, do meu irmão, da minha irmã e do meu pai.”
A ligação com o jogo nunca foi superficial. Brenno cresceu assistindo basquete obsessivamente, tentando absorver detalhes de jogadores profissionais muito antes de entender o peso da palavra “promessa”. O hábito acabou moldando não apenas o seu estilo de jogo, mas também a forma como enxerga o que faz em quadra.
“Desde os meus cinco anos, eu assisto muito basquete, presto atenção nos detalhes. Eu acho que isso é o diferencial no basquete. Você presta atenção em tudo que os jogadores bons fazem para copiar. E eu treino muito. Mesmo sendo bom, eu treino muito e tenho de treinar muito. Não é fácil chegar até aqui, mas eu acho que, treinando muito, você vai ganhando confiança, vai ganhando mentalidade de basquete. E isso é um ponto principal do meu basquete”, explicou o garoto.
No Brasil, Brenno acumulou atuações dominantes nas categorias de base, como, por exemplo, médias de mais de 40 pontos em um Campeonato Paulista, partidas de pontuação altíssima, incluindo uma de 64 pontos, e uma reputação rara para alguém da sua idade. Mais do que os números, porém, o que mais chama atenção em quem o acompanha é a personalidade em quadra. A naturalidade para assumir decisões, criar jogadas e jogar sem receio virou uma das marcas do armador.
Ele, no entanto, não enxerga isso como maturidade precoce. “Não é uma questão de maturidade, mas eu considero que, como eu sou muito novo, não tenho medo de nada. Eu confio bastante no meu potencial, confio que eu consigo fazer de tudo um pouco dentro da quadra. É uma questão de não ter medo de fazer alguma coisa, de tentar algo novo. Sempre tentar e dar certo”, afirmou.

Brenno já chegou ao Real Madrid conquistando o primeiro título na Liga Ahorramas Sub-16. Foto: Arquivo Pessoal
A confiança ajudou Brenno a atravessar rapidamente as etapas da base brasileira, mas o salto para o Real Madrid trouxe um novo tamanho de expectativa. Afinal, vestir a camisa do clube espanhol significa entrar em um ambiente acostumado a desenvolver talentos de elite para o basquete europeu. Apenas dois brasileiros passaram pela equipe merengue na história: Ciço Simon, na década de 1980, e Rafael Hettsheimeir, em 2012.
Ainda assim, o jovem brasileiro tenta manter o mesmo equilíbrio. “Eu lido com as expectativas de uma forma que eu não posso ficar nem muito triste nem muito feliz, da mesma forma que eu estava no Brasil e na Espanha. Eu tenho que continuar treinando muito e aqui treinar muito mais. Aqui não é só basquete, tenho de me acostumar com o espanhol também, me adaptar ao país, às pessoas”, disse Brenno.
A adaptação ainda está no começo. Brenno chegou há poucos dias à Espanha, iniciou o processo de conhecer uma nova cultura e tenta absorver o máximo possível da experiência de viver em um dos maiores polos do basquete europeu. Ele está morando em uma das residências disponibilizadas pelo clube na Ciudad Real Madrid, o moderno centro de treinamento da equipe espanhola onde treinam, inclusive, os times de futebol. Único sul-americano entre os jogadores do basquete que vivem no local, o armador já entrou na rotina diária do clube, que envolve estudos pela manhã, aulas de reforço à tarde, com foco no espanhol no caso do brasileiro, e treinamentos no período da noite. “Não vi muita coisa ainda, estou apenas uma semana aqui, mas essa questão de comida e da cultura não é tão diferente. Estou me acostumando ainda com o idioma, mas estou gostando muito”, afirmou.
Se no Brasil suas referências mudavam constantemente, bastou um jogo ao vivo em Madri para que Brenno encontrasse um novo espelho. E não foi qualquer um. Assistir ao argentino Facundo Campazzo de perto deixou impressão imediata. “Eu já me inspirei em vários caras, já assisti a muitos caras, já quis experimentar estilos de muitos jogadores, mas, desde o dia em que eu cheguei aqui em Madrid, que eu fui assistir a um jogo da Euroliga, não tem comparação. O Campazzo é absurdo. A energia dele, a defesa, ele ataca, consegue fazer de tudo um pouco em quadra. Agora ele é minha maior referência e não tem comparação nenhuma”, afirmou.
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Talvez seja justamente nessa descrição que esteja uma das pistas para entender por que o Real Madrid enxergou algo diferente no garoto brasileiro. Brenno fala pouco sobre talento individual e quase sempre retorna ao coletivo, à energia e à maneira como se comporta dentro de um grupo.
“Dentro de quadra, eu tenho muita energia, muita concentração, sempre estou aplaudindo meus amigos, meus companheiros de time, então acho que isso que fez eles olharem para mim e me quererem no time, porque eu apoio todo mundo, mesmo que eu não esteja tendo um dia bom, eu estou apoiando todo mundo. Isso que faz a diferença num time. Não só você jogar bem, mas sim estar apoiando todo mundo, incentivando para que cada um dê seu máximo e jogue o máximo que consegue”, contou.
Ainda é cedo para saber até onde Brenno Harnbaker pode chegar. A transição para o basquete europeu exige adaptação física, técnica e emocional, especialmente para alguém tão jovem. Mas, em meio à pressão natural que acompanha qualquer promessa, o armador parece carregar consigo algo que vai além dos números: a combinação entre confiança, obsessão pelos detalhes e paixão genuína pelo jogo. Características que começaram em Pirituba e agora tentam encontrar espaço dentro do Real Madrid.
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