#JOGAJUNTO

Copa Super 8

Sem Amanhã

23-01-2026 | 06:52
Por Marcius Azevedo

Sergio Hernández, multicampeão de um lado, Cristiano Ahmed, técnico em afirmação do outro, o duelo entre Flamengo e Mr. Moo São José Basketball também se decide à beira da quadra

O duelo entre Flamengo e Mr. Moo São José Basketball pela Copa Super 8 neste sábado (24/01) também se desenha à beira da quadra como um encontro de caminhos diferentes que convergem no mesmo ponto: vencer um jogo sem amanhã. De um lado, Sergio Hernández, treinador multicampeão, incluindo uma medalha de bronze olímpica e um vice-campeonato mundial pela seleção da Argentina, com vasta experiência internacional e habituado a decisões. Do outro lado, Cristiano Ahmed, técnico em afirmação no cenário nacional, que chega ao torneio como resultado de um projeto em crescimento e da consolidação de uma identidade competitiva.

Em um torneio de eliminação direta, a preparação ganha contornos específicos. Hernández traduz essa lógica de forma direta, sem espaço para rodeios ou projeções futuras. “Você precisa de experiência para jogar jogos que não têm amanhã. É mata-mata, precisa ganhar para continuar jogando. Aí você tem de ativar o modo playoffs, o modo último jogo”, afirmou o treinador argentino, reforçando que o foco absoluto no presente é inegociável. Para ele, não há espaço para pensar além do adversário imediato. “Agora o nosso problema é o São José. Não tem de pensar na final da Super 8, tem de respeitar o São José. Ter atenção nesse jogo e, quando terminar, se ganharmos, pensar no próximo.”

Mesmo reconhecendo o desgaste físico do elenco, Hernández deixa claro que o contexto não permite desculpas. “Estamos com um problema de energia, de cansaço, mas não tem desculpa. Temos de aprender a jogar cansados. Se não pudermos fazer um ótimo jogo, é tentar ganhar jogando um pouco menos de jogo bonito, jogar com experiência.” A mensagem é clara: em mata-mata, execução supera estética.

Sergio Hernández tem enorme bagagem internacional. Foto: Julliana Nascimento / CRF

Cristiano Ahmed parte de uma lógica semelhante, mas com um olhar ajustado à realidade do Mr. Moo São José Basketball. Para ele, a Super 8 exige inteligência competitiva desde a preparação. “É um torneio muito difícil, tendo em vista que você só tem uma chance de ganhar o jogo, caso contrário já está eliminado”, explicou. Jogar contra o Flamengo no Rio, segundo o treinador, amplia o grau de dificuldade, não apenas pelo elenco adversário, mas pelo ambiente. “Eles têm uma torcida que enche o ginásio e apoia bastante o time deles. Precisamos tentar colocar o nosso ritmo de jogo e não deixar eles confortáveis para jogarem como gostam.”

As propostas distintas de jogo aparecem como um dos eixos centrais do confronto. Hernández reconhece que enfrentar o Flamengo carrega um peso psicológico adicional para os adversários, e isso, muitas vezes, se traduz em ousadia. “Todo mundo que joga contra o Flamengo joga com mais liberdade, com mais audácia. Às vezes caem mais bolas de três porque o adversário joga sem a mesma pressão. O Flamengo tem pressão sempre”, analisou. Ele espera um Mr. Moo São José Basketball agressivo, vertical e confiante. “Sabemos que eles vão pressionar, vão jogar um jogo bem agressivo, bem dinâmico. Com certeza será um jogo bem disputado.”

Do lado joseense, a leitura é pragmática. Cristiano Ahmed sabe que enfrentar o líder do NBB CAIXA exige abandonar qualquer ilusão de igualdade absoluta. “Não podemos ir para lá querendo jogar de igual para igual com eles, achando que podemos vencer a qualquer momento”, ponderou. A estratégia passa por controle emocional e de jogo. “Temos de amarrar o jogo, deixar a partida equilibrada, não deixar eles desgarrarem no placar para, no final, darmos o bote.”

O encontro entre um treinador multicampeão e um técnico em ascensão poderia sugerir um desequilíbrio conceitual, mas Hernández relativiza essa leitura. Para ele, em jogo único, a trajetória pesa menos do que o momento. “Em um jogo não implica nada. Em uma temporada pode ser, mas em um jogo não. Tenho experiência, mas ele tem frescor”, afirmou. O argentino demonstra respeito pelo adversário e pelo momento vivido por Ahmed. “Para ele, é um momento glorioso, perfeito. Eu quero ganhar, claro, mas também quero que ele aproveite essa experiência e utilize o resultado para continuar crescendo.”

Cristiano Ahmed está com trabalho sólido no Mr. Moo São José Basketball. Foto: Bruno Ulivieri/Basket Osasco

Cristiano Ahmed, por sua vez, reconhece o peso da carreira do rival, mas reforça que, em quadra, os contextos se diluem. “O Sergio Hernández é um grande treinador, já mostrou isso em diversas situações ao longo da carreira, mas acho que em quadra deixamos isso de lado”, disse. Para ele, a leitura do jogo passa pelo que acontece em tempo real. “A leitura vai muito do momento daquilo que está acontecendo. Dentro do planejamento e da obediência tática, o jogo fica igual e podemos tentar surpreendê-los.”

Em um cenário de equilíbrio, os ajustes durante a partida ganham papel decisivo. Hernández destaca que, em jogos assim, cada detalhe importa, mas sempre sob a lógica do foco absoluto. Pensar além do presente, segundo ele, é o caminho mais curto para a eliminação. Já Ahmed aponta que a capacidade de reagir às mudanças do Flamengo será determinante. “O Flamengo tem várias opções de peças para mexer ao longo da partida, e nós temos que estar preparados para essas mudanças para correspondermos à altura”, explicou, lembrando que o confronto do primeiro turno pouco serve como referência. “Muita coisa mudou. Hoje somos uma equipe mais ajustada, com novas peças, e acredito que serão jogos bem diferentes.”

Entre experiência e frescor, pressão e ambição, Sergio Hernández e Cristiano Ahmed protagonizam um duelo silencioso, mas decisivo, à margem da quadra. Trajetórias diferentes, leituras próprias e discursos que se cruzam em um ponto comum: em um torneio curto como a Copa Super 8, sobreviver exige clareza, coragem e a capacidade de decidir no detalhe.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.