HOJE
Personalidades Negras
Por Liga Nacional de Basquete
LNB dá prosseguimento às ações realizadas pelo Tratado Antirracista pela Diversidade da LNB e apresenta Beatriz Nascimento, no décimo primeiro capítulo da série Personalidades Negras
A Liga Nacional de Basquete, junto com a CAIXA Loterias, CAIXA e o Governo do Brasil, dá prosseguimento às ações realizadas pelo Tratado Antirracista pela Diversidade da LNB com o décimo primeiro capítulo da série Personalidades Negras. Conhecer personagens históricos brasileiros negros faz parte do importante processo de letramento racial. Além disso, mensalmente, um jogador negro do NBB CAIXA fará uma indicação de livro, filme, peça de teatro ou uma manifestação artística que tenha a cultura negra como tema principal.
Beatriz Nascimento
Maria Beatriz Nascimento foi uma das maiores intelectuais da história do Brasil: historiadora, professora, roteirista, poeta e ativista pelos direitos humanos da população negra e das mulheres. Nascida em Aracaju (SE), migrou de barco com os pais e nove irmãos para o Rio de Janeiro. Lá, formou-se em História, em 1971, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Já formada e lecionando em escolas públicas do Rio de Janeiro, Beatriz Nascimento foi peça fundamental para o renascimento do movimento negro no estado e contribuiu para a criação do Grupo de Trabalho André Rebouças, em 1974, um dos primeiros coletivos estudantis negros do Brasil.
Em encontros e conferências, Beatriz questionava a academia sobre a forma como a história da população negra era tratada no país, frequentemente reduzida à condição de mão de obra compulsória, sem reconhecimento de suas lutas e resistências.
Na Quinzena do Negro, evento realizado em 1977 na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, apresentou um trabalho relacionado às questões étnico-raciais dos quilombos. Essa apresentação a levou a viajar duas vezes à África para conhecer territórios de antigos quilombos angolanos. Ela foi a primeira militante negra a ser convidada por um país africano.
Essas movimentações foram consideradas verdadeiras conquistas no contexto social e político da época, já que o Brasil vivia sob uma ditadura militar. Beatriz utilizou a academia como ferramenta para questionar o racismo e enfrentou a censura e o silenciamento impostos pelo regime.
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Em 1995, Maria Beatriz foi procurada por uma amiga que vivia um relacionamento abusivo. Após diversas denúncias de violência doméstica, a historiadora aconselhou-a a encerrar a relação. Ao saber disso, Antonio Jorge Amorim Viana disparou cinco vezes contra a ativista, que morreu aos 52 anos.
O agressor já possuía antecedentes criminais por homicídio, tentativa de estupro e uso de drogas, pelos quais já havia cumprido pena de 11 anos e meio. Pelo assassinato de Maria Beatriz, foi condenado a 17 anos de prisão.
Ela foi enterrada no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, e deixou uma filha, Bethânia Nascimento Freitas Gomes.
Legado
Beatriz Nascimento deixou diversas obras. Entre elas, o documentário Ôrí, no qual atua como narradora, protagonista e personagem. A produção retrata a trajetória dos movimentos negros no Brasil entre 1977 e 1988, tendo o quilombo como ideia central, além de trazer elementos de sua própria história.
A intelectual evidenciava a experiência da população negra, especialmente das mulheres. No ensaio Meu Negro Interno, ao buscar compreender as opressões sofridas por pessoas negras, recorreu à psicanálise para explicar o abismo social provocado pelo racismo no Brasil.
Por meio de suas poesias, valorizava a cultura, os saberes e a expressão do povo negro que, embora marcado por dores, carrega sabedoria, memória e identidade.
Até hoje, Beatriz Nascimento é uma referência nos debates sobre raça, classe e gênero, além de sua contribuição para a compreensão da história, da cultura e das lutas da população negra na construção do país.
Toque cultural
A dica cultural desse episódio é do ala-pivô Jonathan dos Anjos, do Conta Simples Rio Claro, que traz uma obra marcante não só para o esporte, mas também para a história da luta por igualdade racial. Lançado em 2006, Glory Road (Estrada para a Glória) é um filme baseado em fatos reais que retrata a trajetória da equipe de basquete da Universidade do Texas Western. A produção aborda um momento histórico do esporte universitário americano, quando, em meio a um cenário de forte segregação racial, um time com jogadores negros conquista o título nacional, desafiando preconceitos e transformando o basquete para sempre.
“Minha indicação é o filme Glory Road (Estrada para a Glória), que eu assistia muito quando era mais novo. É um filme que marca profundamente a cultura negra no esporte, por retratar a história da primeira universidade americana a aceitar jogadores negros em seu time e que, naquele mesmo ano, conquistou o título nacional. Eu tive o privilégio de conhecer essa história de perto, porque me formei nessa universidade e senti o peso e a importância que isso teve não só para o basquete, mas para o esporte como um todo”, afirmou Jonathan dos Anjos.
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