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Copa Super 8

Irmãos Rivais

23-01-2026 | 06:29
Por Marcius Azevedo

Amigos fora de quadra e bicampeões da Copa Super 8 juntos, Gui Deodato e Maique agora vivem lados opostos no confronto entre Flamengo e Mr. Moo São José Basketball

A partida entre Flamengo e Mr. Moo São José Basketball, válida pela Copa Super 8, reserva um duelo especial que vai além dos sistemas, ajustes e estratégias de um jogo eliminatório. Não será um confronto de irmãos de sangue, como no caso de Alexey e Adyel Borges, que não terão chance de se enfrentar nesta edição, mas de irmãos de vida. Gui Deodato e Big Maique dividem uma relação construída fora das quadras, marcada por identificação pessoal, histórias parecidas e laços familiares que ultrapassam o ambiente profissional. Agora, porém, cada um defende o seu lado em um torneio que ambos conhecem profundamente.

O reencontro neste sábado (24/01), às 19h, no Maracanãzinho, acontece em um cenário simbólico. Gui e Maique sabem exatamente o que significa disputar a Copa Super 8 e vencê-la. Eles foram campeões juntos duas vezes: primeiro com o KTO Minas, em 2022, e depois com o Flamengo, em 2024. Experiências que criaram uma memória comum de decisões diárias, pressão constante e margens mínimas para erro. Desta vez, a história ganha um novo capítulo, com o Rubro-Negro, dono de uma trajetória de títulos e favoritismo, de um lado, e o time joseense, que retorna ao torneio buscando surpreender, do outro.

Para Gui Deodato, o reencontro carrega um peso emocional evidente, sem apagar a competitividade que o mata-mata exige. O ala do Flamengo não esconde o carinho pelo amigo, mas deixa claro que, em quadra, o vínculo fica em segundo plano. “É maneiro demais por vários motivos, pela identificação que eu tenho com o Maique, que é um grande amigo. Sou um cara que torço pelas lutas dele, temos lutas semelhantes antes de ser atleta, mas, como pessoa também, eu tenho um amor muito grande pela família dele. A mãe dele também me trata como filho, então isso torna tudo um pouco mais especial, mas, em quadra, alguém vai ter que chorar, e espero que não seja eu”, afirmou.

A vivência acumulada em edições anteriores da Super 8 surge como um ponto de equilíbrio para lidar com o ambiente de decisão. Para Gui, a experiência de já ter sentido os dois extremos, frustrações das derrotas e alegria das vitórias, ajuda a manter a clareza emocional em um torneio que não permite correções. “A vivência de todos os anos jogando Super 8, e principalmente a tensão de ver uma final a cada dia, eu acho que são bagagens que, com certeza, fazem a diferença. Fica mais fácil lidar com o sentimento de pressão e saber sobressair da melhor maneira possível, de um jeito leve, pensando no passo a passo”, explicou.

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Do outro lado, Maique enxerga o reencontro com a mesma naturalidade afetiva, mas com o olhar voltado para o projeto que representa hoje. Vestindo a camisa do Mr. Moo São José Basketball, o pivô entende o tamanho da oportunidade e o impacto que uma vitória pode ter para a equipe. “Vai ser um reencontro legal. Eu e o Gui temos uma amizade muito boa, de irmão, mas dentro de quadra muda tudo. Ele quer vencer pelo lado do Flamengo e eu quero vencer pelo São José, até porque fazia um tempo que o São José não jogava a Copa Super 8, então seria muito bom para o projeto se conseguirmos essa vitória sobre eles lá no Rio”, destacou.

Maique também reforça o peso da experiência acumulada em decisões recentes como fator determinante para controlar o nervosismo e transformar pressão em foco competitivo. “Ajuda muito. Quando você joga uma competição pela primeira vez, tem um certo nervosismo, mas quando começa a participar mais, e principalmente se consegue vencer duas vezes, isso ajuda a passar a pressão. Por outro lado, isso também tem uma pressão de querer vencer. O importante é entrar muito bem concentrado porque não tem margem para erro.”

O contraste entre os cenários das equipes aparece naturalmente na leitura pré-jogo. Favorito, jogando em casa e com um histórico dominante no torneio, o Flamengo assume o papel esperado. Já o Mr. Moo São José Basketball surge como desafiante. Para Gui, no entanto, favoritismo pouco importa em um jogo único. “Favoritismo em basquete é uma coisa muito maluca, e eu não gosto, enquanto atleta, de pensar em favoritismo. Se fosse uma série de playoffs, seria completamente diferente. Aí sim eu posso acreditar muito mais em favoritismo, até pelo que o time acaba construindo durante uma temporada, mas, jogo único, eu nunca penso em favoritismo. Temos de encarar como se fosse uma final mesmo”, avisou.

Maique concorda com a ideia de que o contexto pesa, mas não decide o jogo. Para ele, o desequilíbrio estrutural entre os projetos aumenta a motivação do lado menos apontado como favorito. “Essa diferença de cenários influencia muito. Acho que vai ser parecido com a história de Davi e Golias. O Flamengo é o favorito, joga em casa, tem um orçamento muito maior, mas dentro de quadra são cinco contra cinco e tudo pode acontecer”, projetou.

Em meio a histórias cruzadas, títulos compartilhados e caminhos que agora se separam, Gui Deodato e Maique protagonizam um dos duelos mais simbólicos desta edição da Copa Super 8. Um encontro onde amizade e competitividade coexistem, mas apenas um seguirá adiante, e o outro terá de lidar com a dor inevitável que só o mata-mata é capaz de provocar.

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