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Campeãode tudo

02-10-2020 | 04:03
Por Liga Nacional de Basquete

Ver o Flamengo brigando por títulos não é novidade: veja qual é o segredo do clube, que chega fortíssimo para a temporada 2020/2021 do NBB

Flamengo chega a temporada 2020/2021 com um elenco estrelado e pronto para brigar por títulos (Divulgação/Flamengo)

Quem acompanha o basquete brasileiro há pelo menos uma década já se acostumou a ver o Flamengo disputando títulos – não importa qual seja a competição. Só na “era NBB”, o clube conquistou seis títulos do NBB, uma Liga das Américas, uma Copa Intercontinental e todas as edições do Estadual – não perde desde 2005.

E você pode até se perguntar: como eles conseguem tudo isso? E naturalmente muitos pensam: é claro, um clube enorme, com a maior torcida do país, potência no futebol e nos esportes aquáticos, investe bastante dinheiro no basquete. Mas não é bem assim…

O Projeto

O basquete pode ser considerado um esporte autossustentável no Flamengo, pois conta com recursos de oito patrocinadores via Lei de Incentivo Federal/Ministério do Esporte (IR) e Lei de Incentivo Estadual/Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude (Seelje) do Rio de Janeiro, além de apoio do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC).

Os patrocinadores são Banco BRB, TIM e AmBev, além dos aportes da Rede D’or, IRB Brasil RE, CSN, Brasil Plural e EY. Essas empresas fazem investimentos de parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos esportivos aprovados pela Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania.

Esses recursos fazem com que o clube monte elencos estrelados, profissionais extremamente gabaritados nas mais diversas áreas e toda a estrutura necessária para manter o alto nível do time nas competições. Não à toa, o Fla disputou pelo menos uma final de campeonato em 11 dos últimos 12 anos da “era NBB” – só não jogou decisões em 2017, em que não houve Estadual.

Marcelo Vido, Diretor de Esportes Olímpicos do Flamengo, explicou a filosofia de trabalho do clube (Marcelo Cortes/Flamengo)

“Inicialmente, buscamos resgatar a credibilidade da marca CRF no cenário nacional e internacional e mostrar ao mercado que podemos desenvolver grandes programas esportivos de uma forma responsável e de longa duração. A busca pela excelência é contínua e a participação de todos os colaboradores (gestores, comissão técnica, equipe multidisciplinar, marketing/comunicação, jurídico, financeiro e, naturalmente, os atletas) de uma forma integrada é um dos pilares de sustentação dos EEOO do clube”, disse Marcelo Vido, Diretor Executivo de Esportes Olímpicos do Flamengo.

“Quanto ao programa do basquete, buscamos integrar desde as escolas de basquete do clube, passando pela base, LDB e equipe profissional de ponta. Além de buscar constantemente através da ciência, tecnologia e inovação alguma vantagem competitiva. E, para finalizar, não menos importante, o financiamento da modalidade junto às oportunidades que o mercado oferece. Lançaremos em breve um programa utilizando inteligência artificial e a escola de basquete rubro-negra, com uma metodologia desenvolvida pelos nossos profissionais”, completou Vido.

Campeão de Tudo

O Flamengo tem em suas raízes a força do basquete. com enorme tradição vencedora, que rendeu o apelido de “Orgulho da Nação” à modalidade. Com 100 anos completados em 2019, o Rubro-Negro conquistou o primeiro título justamente em 1919, ao ganhar o Campeonato da Cidade do Rio de Janeiro.

Em 1933, ano que o Campeonato Carioca começou a ser disputado, o Mais Querido também faturou o troféu. Atualmente, é o maior campeão da competição (45 conquistas). Em outro momento, quatro campeonatos nacionais foram vencidos (1934, 1949, 1951 e 1953). Nas outras décadas, o clube seguiu triunfando.

Na Arena da Barra, Flamengo levou a melhor sobre o Maccabi e garantiu o histórico título da Copa Intercontinental de Clubes de 2014 (Gaspar Nóbrega/FIBA Américas)

A nova era da modalidade trouxe o hexacampeonato do NBB, Copa Super 8, Liga Sul-Americana, Liga das Américas e Mundial, além dos amistosos contra equipes da NBA. Foram tantos feitos que o time também ganhou a alcunha de “Campeão de Tudo”.

Em épocas diferentes, grandes jogadores e treinadores vestiram o Manto Sagrado. Nomes como Kanela, Algodão, Alfredo Motta, Waldir Boccardo, Tocantins, Pedrinho, Carioquinha, Oscar Schmidt fazem parte de um passado memorável.

Já recentemente, Marcelinho Machado, Nicolas Laprovittola, Jerome Meyinsse e José Neto são figuras consagradas. Presentes no atual elenco, Marquinhos e Olivinha seguem construindo um legado inesquecível ao lado dos companheiros de equipe e do comandante da nova era, Gustavo De Conti.

Novos jogadores, mesmo estilo

Para a temporada 2020/2021, o Flamengo renovou com os armadores Balbi e Matheusinho, os alas Marquinhos, Jhonatan Luz e Pedro Nunes, os ala/pivôs Olivinha e Léo Demétrio, e os pivôs Mineiro, Rafael Rachel e Ruan. As novidades no elenco são o armador Yago, o ala/armador argentino Chuzito González e o pivô Hettsheimeir.

 

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Se o plantel rubro-negro já era completo e extremamente versátil na última temporada, o técnico Gustavo De Conti conseguiu elevá-lo para outro nível este ano. Além da forte presença de garrafão de Hettsheimeir e o ótimo arremesso de Chuzito González, Flamengo terá um grande finalizador na armação.

“A gente já tinha esse estilo de um outro armador finalizador no ano passado, com o Deryk. Ele é tão finalizador quanto o Yago. Talvez não seja tão agressivo e não crie tantas situações de um contra um quanto o Yago. Acho que vai ser uma combinação boa porque a gente tem um estilo de jogo do time, mas um armador como o Franco pode dar umas coisas boas a mais, e o Yago pode dar outras coisas boas a mais. E eles se completam também e podem jogar juntos. Foram escolhidos a dedo e acho que vai dar tudo certo”, De Conti.

Tri-MVP

Desde 2012, o Flamengo tem na sua camisa 11 o principal jogador do time. Três vezes MVP do NBB, recorde histórico, Marquinhos vai para a sua nona temporada com a camisa rubro-negra. Em 2019/2020, ele foi um dos três finalistas do prêmio de MVP do NBB e teve médias de 17,3 pontos, 4,4 rebotes e 3,0 assistências por jogo.

Marquinhos foi MVP do NBB em 2013, 2016 e 2018 (Luiz Pires/LNB)

“Quero continuar nessa pegada de se superar a cada partida, tentar melhorar junto com os objetivos da equipe. Sempre vou dar meu máximo. Em uma noite sim e na outra também. Sem pensar em prêmios individuais e sim no Flamengo vencer, sempre”, declarou o MVP do NBB 2017/2018.

Retomada das Américas

O choro da emoção: Flamengo conquistou a vaga na final da Champions League Américas de forma heróica (Paula Reis/Flamengo)

Um dos primeiros compromissos do Flamengo na temporada será a final da Champions League 2019/2020, que foi adiada por conta da pandemia do novo coronavírus. A data ainda não foi definida, mas os jogadores do Rubr0-Negro já estão se preparando para a decisão.

“O grande objetivo nessa primeira parte da temporada é conquistar a Champions League, que nos classificaria para jogar o Intercontinental. A gente tem um elenco legal e reposição em todas as posições. O cenário da pandemia é difícil, mas a gente está motivado, trabalhando com todo o cuidado para ter todos os atletas disponíveis para jogar na data que for definida a final”, afirmou Marquinhos.

A Nação tá on!

Por conta das medidas de prevenção do novo coronavírus, as partidas da próxima temporada do NBB não terão público. Será um processo de adaptação para os fãs, imprensa, técnicos e principalmente, os jogadores. Os atletas do Flamengo já estão sentindo falta da torcida no Campeonato Carioca, mas têm recebido enorme apoio pelas redes sociais. No NBB não será diferente.

Olivinha é o jogador mais contectado com a Nação Rubro-Negra dentro de quadra e nas redes sociais (Fotojump/LNB)

“Essa temporada sem torcida vai ser bem diferente do que eu sou acostumado, sem dúvida alguma. Sou um cara que coloca a energia que vem da arquibancada para dentro do jogo e agora não tenho essa energia presente, porém, sei que temos uma Nação torcendo por nós dentro de casa. Em toda postagem na minha rede social, na maioria, são mensagens positivas da torcida e incentivos, então eu fico tranquilo e tento imaginar um pouco da torcida dentro da quadra. Nesses jogos que fizemos até agora no Carioca, fica um DJ colocando o som da nossa torcida para dar uma animada. Logicamente, não é a mesma coisa, mas temos que nos acostumar o mais rápido possível com essa nova situação”, contou Olivinha.

O NBB é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete (LNB), com chancela da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) e em parceria com a NBA e o CBC, e conta com os patrocínios oficiais da Budweiser, Unisal, Nike, Penalty, Plastubos, EY, VivaGol, IMG Arena e Genius Sports.

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